uma das características do palacete é a sua familiaridade, não só ao nível de trato como até na relação sanguínea.
para além de amigos e colegas, já por lá passaram pais e filhos, tios e sobrinhos, primos e primas, avôs e netos para não falar de compadres, mas são os manos, aqueles quem têm predominado e eis alguns:
o major e o irmão, o jaquim e a irmã, o aires e o irmão, o abílio e o irmão, o xico despenseiro e o irmão, a sara e o irmão, o cândido bigodes e o irmão, o salvado e o irmão, o toino e a irmã e o alexandrino e sua respectiva mana (...) e é sobre estes últimos que «o salinas» agora se debruça:
«o alexandrino» entrando com a protecção patronal devida, começou por ser alvo de alguma conjectura, ganilho ainda, aparentando um ar panal e mostrando certa aldrúfia depressa arraigou-se o atrito com o «cabo» costa, sendo desterrado para a universidade nocturna e colocando nos ombros «dusdanoite» a missão de o expurgar do seu ar estraboicho e sapeiro!
a incumbência não era simples (...) mas uma dura recruta e os conselhos amigos da associação salínica, fizeram o lado parasita e trapaceiro do alexandrino, aos poucos, ir-se diluindo e o mancebo tornou-se um homem!
bom confrade e bom amigo, o alex embora nunca deixasse o lado embusteiro começou a ser «cão que tinha algum reconhecimento com o dono», partilhou momentos especiais (alguns tristes) e assumiu a sua militância noctívaga com bravura, depois de uma permanência minguada no jimbolamento do palacete, acaba de anunciar que «vai bater com a porta», é mais um companheiro que deixa a sua dose de saudade mas «o salinas» sabe que o alexandrino talvez um dia voltará...porém há mais, irá oportunamente ser alvo de um voto de louvor salínico!
quanto à sua mana, a menina em graça e jovialidade mas mulher em raça e personalidade, rapidamente caíu «no goto» dos que lidam com ela e como não poderia deixar de ser (...) «usdanoite» sempre com o desígnio de fazer germinar o calor humano, adoptaram a menina maria como a primeira conspecção bela que seus olhos vislumbravam ao fim de uma noite longa e dura de trabalho!
em homenagem a esse facto perpétuaram um poema que até foi musicado e que concorreu ao festival da canção (...).
a menina entra aqui
ponho-me logo a cantar
ver o seu sorriso lindo
faz-me até arrepiar
nem que seja um pouquinho
tenho aqui companhia
para dar um sorrizinho
chegou a menina maria,
sei que não vai demorar
e eu disso não me engano
só pra dar um beijo a mim
e dar outro ainda ao mano
fala pouco e acertado
não se engana a falar
será que estou condenado
só a vê-la a trabalhar,
sempre à pressa e a correr
tanto tempo à sua frente
não me deixa nem dizer
o que me passa na mente
mas pode ser que um dia
se o tempo o permitir
vá dizer para a maria
não vou te deixar fugir.

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