quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
a vinda da estrela
mais uma alta figura da cena musical, carlos azenhavu, distingue o palacete com a sua esperada pernoitação!
a estadia do cantor, levou os serviços secretos internos a activar o alerta amarelo e a promover uma reunião com o responsável pela segurança pessoal da estrela afim de colocar em prática o plano desde há muito riscado.
já se começam a descortinar índicios de excitabilidade(...), a palavra começa a ser difundida :
- «atenção aos acessos»!
- «ele traz segurança e vai estar espalhada por todo o lado»!
- «não dar confiança aos seguranças»!
- «vão estar seguranças na cave»!
- «e se calhar no telhado»!
está programatizado um «welcome tea» ao som de piano e uma sessão de autógrafos que contará com a presença de d.milú ribeiro, sobrinhos, netos e restante família, e é este evento que mais inquietaçao tem dado aos judiciosos 112 e cabo costa, que temem que algo parecido a um atentado possa acontecer(...), o aparato é tanto que estão contratados seis caçadores da beira, para no telhado precaverem qualquer eventualidade vinda do ar...isto porque a permanência da estrela carlinhos francês, servirá de teste à tão aguardada visita do papa e embora todos saibam que «a montanha vai parir um rato», estes acontecimentos também servem para a «mentalidade aldeã» mostrar a sua faceta e dar azo à «saloiice interna»!
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
o cantinho das beatas
a supressão do fumo interior que decorre à meia dúzia de meses já possibilita várias conclusões:
1- as paredes estão menos sujas? não
2- as plantas parecem árvores? não.
3- a ambiência melhorou? não.
4- a ocupação aumentou? não.
5- o abstencionismo decresceu? não.
6- a produtividade aumentou? não.
mas nem tudo é negativo(...) o artigo 37 e a instalação de câmeras de desvelo levaram a que a sala de convívio fosse transferida para o «cantinho das beatas» (...), no intuito de matar o vício, os fumadores têm agora oportunidade de desfrutarem de várias pausas laborais para zelotípia de alguns, que não tendo o mesmo sestre se sentem codilhados!
enquanto estão a transcorrer as obras nas novas instalações que se situarão juntos às caldeiras, é no «cantinho das beatas»(...), faça chuva, calor ou frio ou até que cacimbe, que os nicodependentes dão largas ao seu deleite (...), as condicões não são as melhores (...), mas parece que 112 está a tratar com a camara de lisboa, a instalação de um cinzeiro de pé, algumas silhas de plástico e um sombreiro.
são cada vez mais aqueles que se juntam no «cantinho», para arrenegamento dos porteiros que se mostram insatisfeitos, têm agora mais trabalho (...), num lado da porta uns estão de atalaia a quem sai, tarefa que é partilhada pela call center, no outro, o desgraçado do porteiro nem tempo tem de ler o jornal, pois o movimento é tanto, que dificulta a sua missão que é a de anotar o nome e o número de saídas (...)!
«o salinas», através de um dos seus noticiaristas fez uma abordagem a joão batista (...), queríamos saber se o movimento é assim tanto!?
- «f......, quando mija um português, mijam logo dois ou três, c......!»
compreende-se que não seja uma tarefa fácil mas enquanto não houver um qualquer «maduro» que se lembre de proibir as idas ao »cantinho das beatas», os privilégios continuarão!
os 20 cêntimos
foi com uma descomunal alacridade que no fim do mês de janeiro todos contemplaram o seu recibo remuneratório e verificaram que algo de muito benéfico tinha acontecido (...), é que sem ninguém profetizar, tinha havido um acréscimo de 20 cêntimos/dia em auxílio à mantença pessoal!
num instante se formou uma enfiada de pessoas a caminho da contabilidade,(eram mais do que aqueles que se agregam no «cantinho das beatas» a fumar um cigarrinho), queriam saber e com razão do porquê de tão válida ampliação salarial!?
o dr.varetas desdobrava-se em elucidar os impávidos e era alvo de manifestações de agradecimento ( zé augusto ,luís canalizador e xico despenseiro ainda pegaram no joão russo aos ombros e pinto bastos deu-lhe um valente amplexo de felicidade), barroso a um canto, deixava fugir uma lágrima de comoção por presenciar o júbilo comum..., o que até levou o seu «acólito» miguel a dizer-lhe:
-«sente-se senhor barroso, acalme-se que o senhor não tem culpa de ser tão bondoso e beba um copo de àgua, daquela que costumamos comprar no pingo doce!...amanhã compro mais!».
era altura de solenizar o acontecimento e depressa se constítuiram grupos, com o fim de logo nesse dia (...), desfruir de uma apetitosa refeição e desfrutar daquilo que o incremento alimentício garantia!
os restaurantes dos arrebaldes (pirata, provinciana, valentino, bombeiros, etc) estavam igualmente felizes com o novo «poder de compra» dos palacianos (...)!
agora, uma pergunta do «salinas»:
-acham que está certo?
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
o ti artur
homem dos sete ofícios, serviu no palacete durante meio século, admitido como operário polivalente, depressa as suas aptidões foram reconhecidas e num ápice o ti artur foi destacado para ascensorista , exercendo a função com dinamismo e responsabilidade , cedo se tornou uma das figuras emblemáticas e mais prezadas da clientela!
tinha a argúcia suficiente que lhe permitia o desembaraço a nível linguístico, a boa disposição incessante fazia dele um narrador de histórias que todos escutavam com prazer, entrava ao serviço despojado de qualquer riqueza no intuito de aumentar o seu-pé-de-meia, era curiosa a forma como diáriamente escondia a «bucha» debaixo do canapé que existia, onde se encontra hoje o busto do «dom luís» (...), este divã serviu durante muitos anos como local de descanso de todos os «condutores» do elevador e era aqui também que ti artur durante os «tempos mortos» comia a merenda e resfolegava as gambetas!
o grande divulgador do vocábulo «step», com que assiduamente ,os fregueses são avisados para o risco junto ao «degrau das quedas» (...), o seu fundamentalismo clubista, que o levava ao ponto, de trajar indumentária interior do clube do seu coração, as demoradas conversas com as empregadas dos aposentos, impedindo assim estas, de verem a telenovela (...), as picardias com o seu «chefe», o contar permanente do «dinheirito» amealhado e as «petas» saudáveis com que brindava os colegas (...), foram facetas que deixaram saudades a todos aqueles, que tiveram o privilégio de lidar com o ti artur.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
estórias do mantino III
sabendo da apetência do «tino» em ser reconhecido, resolvemos em certo dia fazer um telefonema (...), e fazendo-nos passar por elementos do «lisboa à noite», alertámos o «dinossauro da hotelaria», para o facto de se encontrar à espera que alguém fosse buscar, uma caixa de garrafas do melhor néctar da região ribatejana!
-«...ó meu senhor, não era preciso mas ainda bem que reconhecem...assim que puder, mando aí um maduro buscar isso...» respondeu o «tino» emocionado e agradecido!
rápidamente informou o seu ajudante de campo da altura, àlvaro crispim, que alguém teria que se deslocar ao bairro alto:
- «...ó sô mantino eu não posso...!»
- «...porra, tu não gostas de vinho? pergunto-te eu:-gostas ou não gostas! tens cada uma que nem parece teu...»!
álvaro sentia alguma inquietação por saber que estava uma caixa de vinho abandonada, apenas à espera que uma mão amiga a fosse levantar, sabia que nem todas as garrafas seriam para ele (...), mas tinha de encontrar uma solução e enquanto estava de «sentinela» ao parque...viu-nos passar e disse:
-«...ligaram do «lisboa à noite» a dizer que está uma caixa de vinhos para a «gente» mas que alguém terá de a ir buscar...»!
recebeu como resposta:
-«vai lá tu!»
-« depois eu é que sou o mau da fita! hás-de me dizer onde é que moras!» respondeu o «apreciador de bebidas» exasperado!
(...) o dia foi passando e apercebendo-se que dificilmente arranjaria um ingénuo que se disponibilizasse a fazer o frete, resolveu ele próprio, assim que findou o horário laboral deslocar-se à casa de fados e antes que o vinho azedasse trazê-lo para o chefe diamantino o dividir com ligeireza!
mas assim que chegou ao restaurante e para seu grande desgosto, foi informado que não havia vinho nenhum, não tinha havido telefonema algum e tudo não tinha passado de uma brincadeira (...)!
àlvaro ao descer a calçada da glória e matutando na triste notícia que tinha de dar ao «colecionador de garrafas»,dizia:
- «e o pirata sou eu!?»
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
estórias do mantino II
o «tino» continuamente teve um grande ascendente no PALACete e então sobre os bagageiros nem se fala(...), houve sempre uma relação de promiscuidade entre eles ,tino gostou eternamente que lhe «untassem» as mãos e os «carregadores» para agradar ao chefe (...), íam á «terra» e era ver a porta de serviço ser invadida por mercadoria ( mel, fruta, hortaliças, enchidos e até livros de cowboys para o neto).
tantas vezes que tino ligava para o porteiro de serviço e dizia:
-«...guarde isso que eu depois levo...foram os meus amigos que me ofereceram...»!
mas os tempos foram mudando, o tino comecou a perder faculdades, o seu poder começou a cair na rua à espera que algum assumido o assumisse e os novos bagageiros que vieram substituir os velhos já não víam interesse em presentear o caudilho com géneros(...)!
a ligação entre eles nunca mais seria a mesma e teve o seu epílogo quando aires antão e paulo fernandes se lembraram de abrir uma loja na damaia (...)!
a partir daqui o caldo entornou de vez, aires que até aí tinha sido o maior lacaio do cabecilha comecava de quando em vez a levantar a voz e ameaçava o seu antigo protector:
-« olhe que eu bou ao primeiro andar falar com o home!», isto era uma afronta para o velho mantino e este lamentava-se:
-«antigamente até me tirava do carro ao colo...agora desde que tem o estaminé não se pode aturar!».
havia uma paz podre ,tão podre como a fruta que antão ultimamente comprava para o seu chefe a fim de o aborrecer(...)!
um dia (...), diamantino ao entrar ao serviço reparou na conversa amigável que se estabelecia entre «usdanoite» e os bagageiros, parou...passou a mão pela boca e chamou-me à parte, dizendo:
-«dás muita confiança a esses gajos, não te esqueças que nós aqui somos uma espécie de grade e estamos sempre por cima...»!
uma conclusão óbvia que demonstrava o rancor com que tino tinha ficado aos condutores de bagagem!








