quarta-feira, 23 de abril de 2008
os três mandaretes
(...),quando as novas tecnologias ainda vinham longe, os mandaretes eram às dezenas, não era fácil penetrar no palacete..., mas com uma «cunhazita» ou uma ida à terra em busca do presunto escondido, já seria o bastante para a entrada ser quase certa!
«o salinas» quer evocar três daqueles que devido aos seus méritos profissionais figuram na galeria dos mais notáveis e por isso merecem o reconhecimento salínico!
- paulo henriques, tinha a particularidade de ser originário da beira e ao mesmo tempo familiar da guarda de honra (bagageiros) do mantino, foi sempre um privilegeado, as idas de seu pai à terra tinham muitas vezes paragem obrigatória em belém e eram o suficiente para o «paulinho da viola» dominar o átrio, a sua avidez era muita e raramente deixava os outros meter a mão na massa, as suas «vacacionnes» tinham que coincidir com as do seu progenitor e ao contrário dos seus colegas gozava-as no estio (...)!
devido às suas aptidões passou pala brigada da noite (a grande universidade palaciana) antes de ingressar na recepção (...), sobrinho do aires antão, não coincidiu na inteligência com este, para seu próprio bem e abrindo os olhos a tempo saíu e é hoje um alto quadro da finança portuguesa!
- paulo cortez, mais outro (...) com raízes familiares no palacete e embora o ser primo do zé «bagageiro»já fosse o suficiente para ser lembrado, a vida de paisano, a camaradagem, a boa disposição, as risadas com o tiabilio, as fugas permanentes para o chic-choc, as idas aos pubs da avenida, as «malhas» que importava «dos anos 80», as incessantes «petas» que contava aos porteiros e o ar gingão fizeram do cortez um «cromo» díficil de igualar!
acabou por enveredar pela vida empresarial onde alcançou sucesso, raramente faz uma visita mas não é por isso que deixa de ser «cão que reconhece o dono»!
- paulo fernandes ( na foto) entrou no palacete pela mão do seu grande amigo cortez e tirava algum benefício da mercadoria que este, através do seu tio armando, mandava para belém (...), era o ascensorista suplente preferido do «mantino» e um daqueles que depressa caíu no goto dos «homes», o toucado com gel e o andar frenético eram admirados pelo sexo oposto que exercia nele um «sainete» copioso, foi sempre um companheiro fantástico!
saíu...,voltou a entrar mas na primeira oportunidade que teve de não ter que assistir à já esperada «pisadela da uva», saíu novamente...continua a pertencer à família hoteleira e de quando em vez lá aparece para «lavar a roupa suja» e contar mais uma das suas aventuras!
sexta-feira, 18 de abril de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
a noite em 84
nada é mais conveniente do que a vigilância. ela torna-se mais fácil diante do adversário declarado. mas este passa a ser terrível e perigoso quando se insinua furtivamente e estar de vigia nocturna na primeira metada da década de 80, não era fácil (...)!
tão fácil não era que apenas trabalhavam de noite aqueles que queriam seguir a vida hoteleira ou então que não caíam nas boas graças do velho mantino.(...), só dois asseguravam a tarefa, um para ser porteiro, recepcionista, bagageiro, telefonista e outro para mandarete, ascensorista, empregado de mesa, empregado de quartos e técnico de calefacção.
mas como no pensamento dos «doutores da altura», à meia-noite acabava o trabalho, não interessa ir ao pormenor de muitas e variadas vezes esses dois (entrada e saída de grupos, enxurradas da tap, etc) fazerem aquilo que deixa num «estreque» desmesurado aqueles que trabalham de dia!
as rondas exaustivas, as caldeiras que não davam descanso, os elevadores que não paravam, o besouro da central permanentemente a soar..., dois dos apetrechos banais em qualquer palacete, a tv e o mini-bar, aqui e na altura, só em ideia, e isto implicava que o desgraçado do mandarete nocturno fosse solicitado amiúde vezes para, de bandeja numa mão e ainda tendo de conduzir o ascensor com a outra ou seja desdobrando-se em dois, três ou até em quatro..., segurar as cinco estrelas!
e as «putas» que não podiam subir e que faziam um alvoroço inenarrável!? e a violência? e os assaltos? e as bebedeiras? e as reclamações, os insultos, as ameaças, e «o parque que era pequeno»? e «o quarto que estava frio e o quarto que estava quente», e transportar bêbado(a)s aos aposentos? e o limpar o cuspido dos mesmos? e o fazer camas, levar estrados (...)? e a recompensa acabava por chegar de manhâ com a habitual cacetada do major!!!
citando um filósofo da nossa praça:
-« não é(ra) fácil»!!!
ainda hoje são os fantasmas que executam as tarefas!
terça-feira, 8 de abril de 2008
a admissão
antigamente (...), antes de alguém ser admitido tinha que passar pelo crivo do «major valentim»!
os mandaretes, a classe de somenos importância mas de não menos utilidade do palacete, foram sempre alvo de escolha criteriosa.
os candidatos, quase sempre trazidos por «mão amiga», ou pelo amigo do amigo, ou pela empregada de andares cuja a vizinha tinha um filho desempregado, ou pelo empregado de mesa a quem o polícia lá da rua pedia que engavetasse o afilhado no palacete, ou pela lavadeira que tinha um sobrinho que andava a perder tempo na escola, ou pelo aires, etc (...), eram pré-seleccionados pelo chefe mantino que depois de uma pequena inquirição e de alguns avisos do género:
- dizer sempre sim senhor e obrigado.
- cabelo cortado «pela orelha».
- botões limpos.
- sapato preto engraxado.
- meia preta.
- fósforos e esferográfica.
- ser amigo do chefe.
- não esquecer o chefe nas idas à terra.
(...) encaminhava os postulantes até ao «primeiro» andar onde aí sim...era tirada a «prova dos nove».
o aspecto, a descendência e as «cunhas» internas eram características essenciais à aprovação do futuro lacaio, que depois de um inquérito exaustivo ,já que o major não deixava passar a oportunidade de dar umas primeiras «cacetadas» e assim mostrar quem realmente estava à «cabeça do touro», começavam a ser apelidados de «besta e és assim por natureza» (...)!
o pequeno aprendiz de hotelaria balançava sempre antes de se dirigir ao barroso para fazer a inscrição...dizer sim implicava passar as «passas de oliveirinha» durante muito tempo e ainda tinha que ouvir o «mantino» dizer:
- «já sabes, não te portas bem e vais com a da tia num instante»!
sexta-feira, 4 de abril de 2008
a sala de convívio
a velhinha rouparia que nos primórdios do palacete chegou a funcionar como jimbolamento dos clientes apresta-se para ser desactivada e dar lugar à nova sala de convívência do pessoal menor (...), esta que estava projectada para ficar junto às caldeiras, foi à ùltima da hora e graças ao último chá das 5, transferida para local bem mais acessível!
depois de anos e anos de espera, os laboriosos trabalhadore(a)s irão ver (se virem...?) um dos seus sonhos realizados..., através de peditórios, rifas e donativos, aumentado com a verba financiada pelo benemérito tóne barroso irá a breve trecho o novo recinto de camaradagem ver a luz do dia!
irá ser equipado com o melhor que há no mercado e apenas comparada à sala de convívio do rei dos frangos de moscavide ou da loja de calçado guimarães, alguns dos acessórios essenciais ao funcionamento da sala já estão adquiridos:
-a máquina da água, micro-ondas, um baralho de cartas e o «banco dos bagageiros» foram os primeiros de uma lista que engloba ainda o jogo da glória, o jogo da costura, o dominó, duas mesas usadas, uma cafeteira e um saca-rolhas e está prometido que assim que a verba estiver disponível, os matraquilhos, a máquina de extracção de fumos, a máquina de café e o plasma serão uma realidade, embora «o salinas» saiba que de promessas quem vive é santo!
todos sabem que isto só é exequível devido à bondade e camaradagem do 112, até porque recuando alguns anos, só em sonho era possível acreditar que os simplórios do palacete seriam distinguidos com tamanha benfeitoria mas as surpresas acontecem quando menos se espera e só prova que ainda há gente boa...!
(em cima e em bruto, a futura luxuosa sala de convívio)
quinta-feira, 3 de abril de 2008
quarta-feira, 2 de abril de 2008
o impacto
quando já todos parecem esquecidos da estadia da estrela francesa carlos azenhavu, «o salinas» perdeu um pouco do seu já pouco tempo livre e deu-se à espinhosa, mas curiosa tarefa de consultar a imprensa gaulesa e perceber o impacto que a mesma produziu no cantor (...)!
de maneira a poupar os leitores, «o salinas» fez a tradução e reproduz o que algumas conceituadas revistas escreveram:
-ART ACTUEL-«...o nosso compatrício ficou deveras apiedado da maneira como foi recebido no palacete e confessou-nos a sua admiração pela maneira segura como se movimentou no espaço...»
-COSMOPILITAN-«...a vedeta francesa ficou acoitado no magnificiente palacete em lisboa e não consegue esquecer a forma calorosa mas um tanto atarantada como foi obsequiado com um formoso bouquet de rosas».
-IDEAT-«...o rouxinol francês ficou impressionado com a eficácia e a circunspecção dos funcionários do palacete..., os uniformes que pareciam ter vindo de um desfile de moda de paris com os seus abrolhos reluzindo, os sapatos de tão bem engraxados que mal comparados assemelhavam-se ao espelho do palácio da ajuda, o não cavaquear com a sua segurança pessoal de modo a que estes não falassem com aqueles e a bela encenação da entrega do ramo de rosas, onde este passou que nem uma bola de rugby, do funcionário do átrio para a relações públicas antes de chegar às suas mãos, fizeram o músico dar um valente amplexo ao coronel 112 e ao cabo costa e prometer voltar assim que puder!»
-GAULT MILLAU-«...carlos azenhavu durante a sua pernoitação no palacete da avenida, teve a rara oportunidade de degustar várias iguarias preparadas pela major-generala celestina e entre estas o aveludado de aipo, o supremo de cherne, o bitoque à restauradores e para rebater um pudim de pão, a sua satisfação foi tão grande que pretendia trazer para frança a generala celestina e também o infatigável zé manelito galego...»
estes como podem calcular são apenas alguns dos encómios que o palacete foi alvo e demonstra que trabalho feito de noite de dia aparece!
terça-feira, 1 de abril de 2008
o aluguer
estranhava-se que havendo outras empresas com mais nome na praça, a «roubauto» fosse sistemáticamente a preferida pelos atriários, mas quando «o salinas» começou a perceber que uma mão lava a outra e as duas lavam a cara, ou seja, quando integrou a sociedade «o segredo é alma do negócio», constatou do porquê de existir uma rent-a-car que tinha a dilecção do «cabeça do touro» do átrio principal (...)!
o «dinossauro hoteleiro» continuava a aplicar a velha máxima:
- é tarde para a economia quando a bolsa está vazia!
o mistério depressa foi sendo desvendado (...), sempre que o fim do mês estava lá outra vez, o «machadinho» sorrateiramente fazia a sua aparição, transportava o envelope dourado e era alvo de recepção calorosa por parte do velho tino, este seu gesto desapegado provocava o pasmo de todos que ouviam a chuchadeira da praxe:
-« és o maior!»; «dou-te a minha palavra de honra que nunca pensei...»; « o meu carro precisa de reparação»; «não há ninguém como tu!»; etc!
mais a mais mas não tudo, quando chegava a altura do natal, uma «bannette» carregada de garrafas de etílico, calendários, tapetes de banho, porta chaves, esferográficas e isqueiros depositava o seu conteúdo nas mãos do «pai natal da porta» afim que este pudesse presentear e mostrar assim o seu lado clemente!
os anos foram passando e o que «o salinas» nunca pensou foi ver hoje em dia a pretexto de uma qualquer viagem, de uma avaria, de um transporte de cadeiras ou até de uma «mudança», todos e mais alguns a usufruir daquilo que o tino afirmava repetidamente:
-«sempre pra estes...estes é que são nossos amigos»!
a conclusão a que se chega é que o seu encarniçamento pelo «machadinho» foi mais uma das heranças que deixou aos seus acólitos e que estes aproveitam até ao tutano!









