quarta-feira, 26 de março de 2008
o baptista
com quase meio século de ca(u)sa, o batista cedo se tornou uma figura popular (...), chegando ainda catraio ao palacete, este minhoto de gema, conseguiu através da palavra fácil e do seu bom humor granjear o apreço de todos os que com ele trabucam(...)!
começando como ajudante de copeiro(?), as suas qualidades de trabalhador infatigável levaram-no a subir a escadaria do saber e a alcançar em pouco tempo o cargo de chefe da cafetaria!
foi durante anos e anos, o primeiro despertar para «usdanoite« e as suas tiradas típicas ainda hoje fazem eco nas paredes centenárias:
-novidades? quantas?
(...) e a conversa com o cafeteiro deambulava sempre para o seu fundamentalismo partidário, onde demonstrava como demonstra actualmente, ser uma pessoa informada e actualizada. vê-lo dentro da sua actividade laboral era um incentivo e uma motivação para os seus confrades (...)!
além de fazedor do melhor café tragado nos arredores, teve ainda a mestria de confecionar as especialidades do palacete, os ovos à canzana (ou ovos batidos atrás) e o chá para a potência!
tóne, o actual bagageiro, era na altura o principal transmissor dos pedidos e era vê-lo gritar, como se estivesse na quinta (como uma vez o «major» observou):
- «três, dois e um café, há uns ovos batidos atrás!
batista com uma destreza exemplar respondia a todas as solicitações com um sorriso e respondia: - «mais um... tinto«!
(...) quis o destino que o nosso amigo cafeteiro depois de um breve interregno, voltasse ao albergue e continue a ser a boa companhia que sempre foi (...), é hoje com todo o mérito o chefe da porta do «cavalo»!
«o salinas» reunido em assembleia extraordinária, em virtude de não se reunir em ordinárias,
deliberou elevar joão batista da silva ao seu quadro de honra e nomeá-lo como sócio honorário nº9.
terça-feira, 25 de março de 2008
ó trabalho vai-te embora
em 1992, quando «o salinas» estava unicamente no pensamento, foram os funcionários da altura caracterizados através de singelos versos (...), são aqui lembrados os saudoso(a)s:alberto «cozinheiro», alberto «preto», pinheiro, dimas, diamantino, luís alvarez, deolinda, paulo fernandes, zé cardoso, mário «chopin», mª do céu, emília, aurora, lina, cremilde, filomena, iracema, flávia, antónio «carpinteiro», joaquim «pedreiro», zé monteiro, jacinto, alberto «colchoeiro», neves, franganito, ramos e abel (...).
1
na rua 1º dezembro
mesmo ao lado da estação
existe um palacete
já com grande tradição
2
restaurante e recepção
copa e rouparia
bar e manutenção
andares e portaria
3
no restaurante o ALBERTO
um famoso cozinheiro
o MÁRIO, JOHANNE e CARVALHO
o ZE, SANTOS e PINHEIRO
4
estes todos e só eles
formam uma brigada fatal
servem o pequeno almoço
e depois lêem o jornal
5
mais ao lado está a copa
na rua 1º dezembro
mesmo ao lado da estação
existe um palacete
já com grande tradição
2
restaurante e recepção
copa e rouparia
bar e manutenção
andares e portaria
3
no restaurante o ALBERTO
um famoso cozinheiro
o MÁRIO, JOHANNE e CARVALHO
o ZE, SANTOS e PINHEIRO
4
estes todos e só eles
formam uma brigada fatal
servem o pequeno almoço
e depois lêem o jornal
5
mais ao lado está a copa
com colheres e com panelas
mas o DIMAS e o AUGUSTO
com água dão cabo delas
6
o AUGUSTO lava a loiça
sempre com todo o aprumo
lava copos e canecas
mas o DIMAS e o AUGUSTO
com água dão cabo delas
6
o AUGUSTO lava a loiça
sempre com todo o aprumo
lava copos e canecas
e ainda vai fazer o sumo
7
o DIMAS também se ajeita
a fazer chá e café
o DIMAS também se ajeita
a fazer chá e café
faz ovos e faz torradas
a pedido do chefe ZÉ
8
na portaria o MANTINO
onde é tudo controlado
existe só um a mandar
e o resto a ser mandado
9
o chefe sõr MANTINO
sempre bem acompanhado
com o ajudante ÀLVARO marcelino
a chegar-se para o lado
10
«traz ali o papel»!
«vê lá se pode sair»!
«procura se tem a chave»!
a pedido do chefe ZÉ
8
na portaria o MANTINO
onde é tudo controlado
existe só um a mandar
e o resto a ser mandado
9
o chefe sõr MANTINO
sempre bem acompanhado
com o ajudante ÀLVARO marcelino
a chegar-se para o lado
10
«traz ali o papel»!
«vê lá se pode sair»!
«procura se tem a chave»!
algum há-de cair
11
da rupauto vêm os carros
pois eles dão capital
é bom ir jantar à severa
ou então ao escorial
12
mas nos fados é que é bom
11
da rupauto vêm os carros
pois eles dão capital
é bom ir jantar à severa
ou então ao escorial
12
mas nos fados é que é bom
faz-se lá um bom serão
os porteiros são convidados
e os outros é que lá vão
os porteiros são convidados
e os outros é que lá vão
13
o MANTINO em primeiro
em segundo o ALVAREZ
o ABILIO em terceiro
os outros que esperem a vez
14
o LUIS que é porteiro
de espanha veio cá parar
há-de um dia ser chefe
mas só quando o chefe acabar
15
o ABILIO grande amigo
que é família do MANTINO
quiseram dele fazer
o segundo MARCELINO
16
o ÁLVARO saíu
mas lá voltou a entrar
meio palacete pediu
para ele poder voltar
17
já não bebe há muito tempo
pois isso lhe fazia mal
agora só água e leite
e na taverna imperial
18
mais atrás as telefonistas
sentadas e a dormir
pois se o telefone tocar
alguém há-de de ouvir
19
temos a Mª ANTÓNIA
gente como ela há pouca
gosta muito dos sobrinhos
e até já vende roupa
20
a LURDES que me desculpe
mas eu não estou enganado
se ela vem de manhã
é domingo ou é feriado
21
e depois a DEOLINDA
que deixa os telefones «abertos»
é uma jovem ainda
e adora os seus netos
22
vêm depois os maleiros
entre eles dois matacões
que trabalham por amor
sem esperar gratificações
23
o AIRES que é bom rapaz
isso eu sempre soube
gosta de «ber» as «biúbas»
e de contar o que ouve
24
o PAULINHO é gente fina
mal empregue no lugar
fez um horário porreiro
para ao sábado folgar
25
o ANTÓNIO MONTEIRO
que é o nosso matacão
gosta de uma boa pinga
da garrafa ou garrafão
26
temos os recepcionistas
que recebem os clientes
com muita boa vontade
mas sem mostrarem os dentes
27
é preciso simpatia
pra cativar os turistas
se não sabem ser simpáticos
olhem para as telefonistas
28
são uns grandes moralistas
sempre dentro da razão
fazem câmbios à sucapa
pra não arranjar confusão
29
uma boa conversata
é do que ele mais gosta
mas é bom profissional
o sr. GONÇALVES COSTA
30
«então tá tudo bem?»
isto até me põe nervoso
se estiver tudo mal
falem com o ZÉ CARDOSO
31
e se o CARDOSO
não estiver no hotel
procurem em todo o lado
hão-de encontrar o MANEL
32
o nosso amigo MANEL
o MANTINO em primeiro
em segundo o ALVAREZ
o ABILIO em terceiro
os outros que esperem a vez
14
o LUIS que é porteiro
de espanha veio cá parar
há-de um dia ser chefe
mas só quando o chefe acabar
15
o ABILIO grande amigo
que é família do MANTINO
quiseram dele fazer
o segundo MARCELINO
16
o ÁLVARO saíu
mas lá voltou a entrar
meio palacete pediu
para ele poder voltar
17
já não bebe há muito tempo
pois isso lhe fazia mal
agora só água e leite
e na taverna imperial
18
mais atrás as telefonistas
sentadas e a dormir
pois se o telefone tocar
alguém há-de de ouvir
19
temos a Mª ANTÓNIA
gente como ela há pouca
gosta muito dos sobrinhos
e até já vende roupa
20
a LURDES que me desculpe
mas eu não estou enganado
se ela vem de manhã
é domingo ou é feriado
21
e depois a DEOLINDA
que deixa os telefones «abertos»
é uma jovem ainda
e adora os seus netos
22
vêm depois os maleiros
entre eles dois matacões
que trabalham por amor
sem esperar gratificações
23
o AIRES que é bom rapaz
isso eu sempre soube
gosta de «ber» as «biúbas»
e de contar o que ouve
24
o PAULINHO é gente fina
mal empregue no lugar
fez um horário porreiro
para ao sábado folgar
25
o ANTÓNIO MONTEIRO
que é o nosso matacão
gosta de uma boa pinga
da garrafa ou garrafão
26
temos os recepcionistas
que recebem os clientes
com muita boa vontade
mas sem mostrarem os dentes
27
é preciso simpatia
pra cativar os turistas
se não sabem ser simpáticos
olhem para as telefonistas
28
são uns grandes moralistas
sempre dentro da razão
fazem câmbios à sucapa
pra não arranjar confusão
29
uma boa conversata
é do que ele mais gosta
mas é bom profissional
o sr. GONÇALVES COSTA
30
«então tá tudo bem?»
isto até me põe nervoso
se estiver tudo mal
falem com o ZÉ CARDOSO
31
e se o CARDOSO
não estiver no hotel
procurem em todo o lado
hão-de encontrar o MANEL
32
o nosso amigo MANEL
que está cá o dia inteiro
veio como mandarete
e hoje já é engenheiro
33
a ANA cara bonita
simpatia em pessoa
há quem não goste dela
mas eu acho-a muito boa
34
o CHOPIN que já foi mandarete
e também já foi porteiro
agora é recepcionista
e faz tudo por dinheiro
35
vou largar a recepção
e também a portaria
vou pra outra secção
e que tal a rouparia
36
começo pela ALBERTINA
que tem muito que fazer
rodeada de botões
e com roupa pra coser
37
depois a Mª do CÉU
que é servente exemplar
tem um irmão bagageiro
e uma filha por casar
38
a ADELAIDE é a chefe
a JÚLIA a auxiliar
a IVONE passa a ferro
e a ANA vai lavar
39
daquilo que lhes vou falar
não tenho bem a certeza
são as nossas ti marias
dos andares e das limpezas
40
clientes a sair
ERMELINDA a conversar
com a vassoura na mão
e o lixo por despejar
41
a MARIA vai limpando
enquanto está a escutar
o chão fica brilhando
de ela o tanto esfregar
42
as lâmpadas estão fundidas
os cinzeiros por limpar
as luzes acesas nos quartos
que estão por ocupar
43
todos nós as procuramos
e ninguém sabe delas
as fichas por assinar
à hora das telenovelas
44
ROSÁRIO,DULCE e a PAULA
são três jovens empregadas
a EMÍLIA e a AURORA
estão quase reformadas
45
temos então a ti LINA
que é pessoa muito humilde
e adora trabalhar
com a ANA e a CREMILDE
46
elas trabalham tanto
isso até me dá pena
a chefe do 4ºandar
é a tia FILOMENA
47
falta agora a IRACEMA
que sabe tão bem arrumar
juntamente com a FÁTIMA
controla o 6ºandar
48
coitada da dona FLÁVIA
farta-se de trabalhar
a perguntar às telefonistas
o que vão hoje almoçar
49
já chega de ti marias
digo-lhes com toda a razão
vamos ver o que fazem
os homens da manutenção
50
eles trabalham na cave
sítio de muito calor
vou começar plas tintas
lugar do CHICO pintor
51
homem já muito experiente
o ofício dele é pintar
e simpatia não falta
a quem gosta de falar
52
homem de sete ofícios
há mais e eu sei quem são
mas se querem bom trabalho
então falem com o MOURÃO
53
tábuas é só com ele
que as trabalha o dia inteiro
não ía deixar de falar
do ANTÓNIO carpinteiro
54
faz trabalhos de artista
sem fazer uma asneira
com um martelo e com pregos
faz num instante uma cadeira
55
e se há algum problema
chamem o ZÉ MONTEIRO
e se ele não puder
vai o JOAQUIM pedreiro
56
o JACINTO pros colchões
o ALBERTO prás tabernas
o SITIMA nas caldeiras
o CABRITA com as lanternas
57
mas na porta de serviço
há um gajo porreiro
o BATISTA nosso amigo
que até já foi cafeteiro
58
é colega do MANEL
que é um tipo lixado
entra cedo no hotel
e passa o dia sentado
59
ainda o FRANGANITO
pessoa de muito saber
entram e saem da porta
e ele continua a ler
60
gostam de ler o jornal
bem sentados nas cadeiras
vêem fichas e os sacos
os caixotes e as caldeiras
61
mais ao lado está o RAMOS
que só vive prós jornais
então o record e a bola?
e ainda outros que tais
62
cuida bem do material
sempre à sua maneira
gosta de uma imperial
se possível na traineira
63
há um sítio tão bonito
todos gostam de lá ir
pois chegando ao fim do mês
é só assinar e sair
64
falo da contabilidade
onde o trabalho é moroso
mas para isso lá está
o chefe ANTÓNIO BARROSO
65
sempre atento ao que se passa
com os empregados do hotel
fichas,horários e férias
isto é tudo com o ABEL
66
é benfiquista ferrenho
desde todos os tempos
mas se o benfica não ganha
então não há pagamentos
67
por fim o pessoal da noite
sempre os mais desprezados
têm fama não proveito
de trabalharem deitados
68
o trabalho não se vê
tudo aparece feito
se algo for preciso
os fantasmas dão um jeito
69
eu de mim não vou falar
porque cá não sou ninguém
mas pode ser que um dia
falem de mim também
70
fiz isto sem maldade
e sei que me dão razão
rir da nossa liberdade
e da vossa submissão.
segunda-feira, 17 de março de 2008
a peregrinação nocturna
começando pela cave, onde outrora era medonho andar(...), a varredura acumulada, as vastutezas de há muito tempo, a fossa, as caldeiras, a carpintaria, a garrafeira, o estaminé do pintor, a oficina do electricista, a até um pequeno tanque ( que chegou a ser pensado para spa noturno), tudo era passado a pente fino!
mas havia mais para palmilhar, no r/c onde hoje se ergue um excelso salão (...), há não sei quantas luas era uma enorme ucharia onde se acumulava a maioria do ferro velho existente e servia ao mesmo tempo de «mictório» em horas de aflição!
a partir daqui as escadas eram escaladas abundantemente, quantos problemas, na época, a brigada noturna não teve de enfrentar, para os «doutores de hoje» julgarem que o palacete apenas resiste devido a sua sabedoria (...)?!
a peregrinação continuava pelo 1ºandar, tudo era analisado ao pormenor, onde hoje são os balneários femininos, «as casas da força» e o ofício, era a enorme «sala das alcatifas» local de encontros fortuitos, onde ratos e baratas procriavam a seu bel prazer, os existentes escritórios eram um depósito permanentemente fechado e que tinha fama de ser lá, que as almas penadas se reuniam para confraternizar, a sala da televisão era o gabinete da ermelhuda e suas pupilas e onde diáriamente aclareciam a estratégia a utilizar no asseio do albergue e por fim as «meeting rooms» que representavam onde outrora, estava instalado o poder (...), a atalaia tinha que ser incessante!
chegando ao 2º era hora de afagar o bucho e a ronda podia esperar um bocadinho (este piso continua hoje em dia a ser um dos locais mais bem vigiados e por isso um dos santuários «dusdanoite»), enquanto eram retemperadas energias...,tentava-se ganhar coragem para o mais difícil da missão que ainda estava para chegar.
no 3º começavam os receios e os sobressaltos (...), a visita aos antigos aposentos e ao armazém de achados provocavam o temor a quem se arriscava a esse fim, era também alvo de vasculhação o «estaminé do batista», antiga cafetaria que é na atualidade, a cantina do pessoal.
ir ao quarto, quinto ou sexto, era sempre um mistério, estes pisos transportam estórias que até a própria história se tenta esquecer mas não consegue(...), muitas vezes a respetiva vigília era feita acelaradamente, havia constantemente algo a fazer, ir buscar a vassoura para afuguentar um rato, ir buscar o banco para permitir uma melhor observação, ir buscar os baldes para armazenar a água da chuva (...), enfim, nao ter descanso!
mas faltava o sétimo, a inspeção ao repartimento do mantino antecedia a parte mais arriscada da incumbência, a subida ao telhado, espaço apenas calcorreado pela brigada notívaga, o 112 (em caso de emergência), o limpa chaminés e o pai natal!
na cobertura, local onde era preciso enorme equilíbrio para a locomoção(..), a verificação do depósito da água, o passeio ao interior do sotão, a inspeção à casa dos elevadores, o visionamento da cidade de lisboa através do miradouro e a «mijinha» eram tarefas diárias e que colocavam um ponto final na longa peregrinação noturna!
mas havia mais para palmilhar, no r/c onde hoje se ergue um excelso salão (...), há não sei quantas luas era uma enorme ucharia onde se acumulava a maioria do ferro velho existente e servia ao mesmo tempo de «mictório» em horas de aflição!
a partir daqui as escadas eram escaladas abundantemente, quantos problemas, na época, a brigada noturna não teve de enfrentar, para os «doutores de hoje» julgarem que o palacete apenas resiste devido a sua sabedoria (...)?!
a peregrinação continuava pelo 1ºandar, tudo era analisado ao pormenor, onde hoje são os balneários femininos, «as casas da força» e o ofício, era a enorme «sala das alcatifas» local de encontros fortuitos, onde ratos e baratas procriavam a seu bel prazer, os existentes escritórios eram um depósito permanentemente fechado e que tinha fama de ser lá, que as almas penadas se reuniam para confraternizar, a sala da televisão era o gabinete da ermelhuda e suas pupilas e onde diáriamente aclareciam a estratégia a utilizar no asseio do albergue e por fim as «meeting rooms» que representavam onde outrora, estava instalado o poder (...), a atalaia tinha que ser incessante!
chegando ao 2º era hora de afagar o bucho e a ronda podia esperar um bocadinho (este piso continua hoje em dia a ser um dos locais mais bem vigiados e por isso um dos santuários «dusdanoite»), enquanto eram retemperadas energias...,tentava-se ganhar coragem para o mais difícil da missão que ainda estava para chegar.
no 3º começavam os receios e os sobressaltos (...), a visita aos antigos aposentos e ao armazém de achados provocavam o temor a quem se arriscava a esse fim, era também alvo de vasculhação o «estaminé do batista», antiga cafetaria que é na atualidade, a cantina do pessoal.
ir ao quarto, quinto ou sexto, era sempre um mistério, estes pisos transportam estórias que até a própria história se tenta esquecer mas não consegue(...), muitas vezes a respetiva vigília era feita acelaradamente, havia constantemente algo a fazer, ir buscar a vassoura para afuguentar um rato, ir buscar o banco para permitir uma melhor observação, ir buscar os baldes para armazenar a água da chuva (...), enfim, nao ter descanso!
mas faltava o sétimo, a inspeção ao repartimento do mantino antecedia a parte mais arriscada da incumbência, a subida ao telhado, espaço apenas calcorreado pela brigada notívaga, o 112 (em caso de emergência), o limpa chaminés e o pai natal!
na cobertura, local onde era preciso enorme equilíbrio para a locomoção(..), a verificação do depósito da água, o passeio ao interior do sotão, a inspeção à casa dos elevadores, o visionamento da cidade de lisboa através do miradouro e a «mijinha» eram tarefas diárias e que colocavam um ponto final na longa peregrinação noturna!
terça-feira, 11 de março de 2008
o leilão
miguel alcochete, depois de uma longa confabulação com o seu amigo e tutor tóne barroso e de alguns alvitres dos seus companheiros de viagem, resolveu contra tudo e contra todos (...), licitar o seu agasalho de oleado preto!!!
chorou baba e monco antes de tomar essa decisão, reflexionou sobre todas as privações que tinha passado para o adquirir...era com enorme amofinação que iria se desfazer do casaco(...),mas estava na hora!
com a concernente autorização superiora (...), foi adaptado o cenáculo do pessoal menor a sala de leilões e o evento teve a sua realização logo após o almoço (...), as cadeiras íam sendo preenchidas, a plateia compunha-se, o aspirante a chefe de contabilidade ía sendo confortado por seus protectores, mais atrás nas filas traseiras, os homens da manutenção combinavam a melhor estratégia a seguir com o fim de arrematar a peça de vestuário..., o silêncio não era muito o que levou d.milú a ir espreitar e abanando a cabeça, dizer:
- «ai nossa senhora, jesus...kerédo».
miguel vestiu a sua indumentária pela última vez e ao mesmo tempo que franzia o sobrolho (...), debitou algumas palavras:
-«era com desprazimento que tomava essa atitude, que 10% da receita apurada reverteria para os bombeiros da pontinha, 10% para a junta de freguesia de zebras e 20% para o ateneu comercial( a casa que tem feito dele uma mistura de van damme e rambo) e que não desejava ao pior inimigo aquilo que estava a sentir...».
a almoeda começou, o cabo costa deu uma valente martelada na mesa e anunciou:
- 400 euros!
o espanto foi geral! 400 euros?! não seria demais?!
112, que junto ao púlpito tentava que todos falassem o mais baixo possível (...) levou o dedo indicador ao apoio das lunetas e disse baixinho:
- «isso é muito!!!».
mas a cobiça era demasiada, baeta estava disposto a gastar o seu vencimento de uma penada só e afirmou em alto e bom som:
- «eu dou 500 euros pois quero ficar com uma lembrança do meu amigo miguel!».
esta frase levou a sala ao rubro e uma estrondosa salva de palmas parecia selar o fim da licitação, mas 112 emocionou-se e não querendo ficar atrás na sua compinchidade com o «contabilista», murmurou:
- « sei que estou a perder a cabeça, mas ofereço 600 euros».
ti manel fão que estava sentado diante da ombreira da porta, olhou de soslaio para o director e ruborizado, declarou:
-« comigo não têm hipóteses, eu remato com 700 euros!!!
os lances eram altos e não estavam ao alcance de todas as bolsas, barroso ía fazendo contas à vida e hesitava (...), esse titubear acabou por lhe ser fatal (...)!
pinto bastos acabado de chegar de mais uma viagem, foi assovelado por 112 a pôr termo aquela «manuelada» e dando um murro na mesa, disse sorridente:
-«é meu...dou 1500 euros!!!».
é evidente que mais ninguém iria competir com o alforge recheado do antónio «fadista», miguel estava desolado (o seu amigo estrela ofereceu-lhe 50 rebuçados a ver se o animava) e era alvo de abraços e beijos, as ucranianas chorosas sentiam-se impotentes perante tais ofertas e até zé manel galego mostrava o desgosto estampado na face!!!
o novo dono do casaco de napa preta, depois de o envergar, apenas disse:
-«há muito tempo que o cobiçava e convido-os a todos a fumar uma «cigarrada» lá fora!».
uma familiar, não do castelo de são jorge mas do castelo de são lopes, deixava escapar uma lágrima furtiva e via concretizado um antigo sonho de pinto bastos que se começava a perpetuar no tempo!
e assim acabou a sessão com d.lurdes carrilho a prometer leiloar as 1800 revistas «maria» que guarda religiosamente em casa!
segunda-feira, 3 de março de 2008
o chá das multidões
de há uns tempos a esta parte, decorre no palacete um denominado «chá das 5» não das pessoas como até estaria certo...,mas das 5 horas que é a horas de todas as decisões (...)!
como uma variedade desconforme de infusões desde o preto ao verde passando pelo vermelho, este evento tem provocado um enorme sucesso e é de louvar mais esta iniciativa do departamento de relações públicas com vista à dinamização do albergue. a adesão maciça da clientela poderá vir a provocar a realização diária da ocorrência , embora tudo dependa da disponibilidade do pianista wagner afonso (...).
todas as semanas é batido o record de presenças, o último teve até a particularidade de serem às centenas aqueles que queriam tragar uma boa malga de chá e ouvir as voluptuosas melopeias do músico!
o «estreque» (stress), parafraseando o aires antão, tem aumentado, o cabo costa anda mais agitado e é vê-lo aos saltinhos sempre desassossegado com os acessos que cada vez estão mais a descoberto(...)!
a sua preocupação também se alarga, fruto de deliberações cimeiras, ao tempo gasto pelo pianista na execução das àrias, ao parqueamento dos pópós e ao ascende e descende permanente de quem estudou um dia...e hoje toma conta do destino dos «ursos» que cá permanecem e que iludidos pelo «amanhã», embora sendo engraçados (...) nunca caíram em graça!
as velhinhas de lisboa estão felizes porque finalmente têm um lugar onde podem recordar ao som de belas melodias...os clímaxes da sua vida!
Subscrever:
Comentários (Atom)





