quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

as caldeiras

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nas origens do palacete o calor era porprocionado pelo grande brasido instalado nas catacumbas do edíficio hoteleiro, era na altura o velho fogueiro xico brasas que tinha a incumbência de se deslocar à mata de monsanto a fim de conseguir a porção de troncos, pedaços de madeira, achas ou até cavacas para a respectiva pira (...)!
embora o seu vigor fosse enorme, nem sempre o palacete tinha a temperatura ideal e nos invernos rigorosos, tal como viria a suceder por muitos anos (...), era rara a vez que o desgraçado caldeireiro, juntamente com o porteiro da noite não fossem chamados «à pedra».
anos mais tarde (...), e se a memória não falha em 19 e tal e coiso são instaladas as primeiras marmitas a vapor que por esse edifício acima faziam dardejar o «calorzinho» (...), mesmo com os encanamentos deteriorados o palacete era dos lugares mais quentes da capital e batia aos pontos o palácio de são bento onde o velho salazar limitava-se a aquecer os calcanhos com o radiadorzito trazido de santa comba dão (...)!
na década de sessenta, quando eram às «carradas» os turistas em trânsito no palacete, decidiu a governança da altura que estava na hora dos investimentos e para além de toda a grande remodelação remodelada foi decidida a aquisição de três caldeiras ultra- modernas vindas directamente da siderurgia nacional (...).
e se no enceto tudo corria bem e o calor era proporcional ao pretendido com o passar dos anos estas marmitas começaram a parir problemas, ou porque o fogueiro se esquecia de as pôr a funcionar a tempo e horas, ou porque «usdanoite» estavam a dormir e não tinham o zelo necessário por elas ou porque a tubagem estava danificada, o certo é que de manhã, assim que o «major» se preparava para absterger-se da esqualidez corporal, a ardência da água não era a pretendida e as bordoadas tinham início (...)!
era de noite que o delineamento tinha que ser delineado e o chefe abílio delineava a delineação, abrir as torneiras do aquecimento e fechar as da água, abrir as da água e fechar as do aquecimento e se não resultasse invertia-se a manobra, quando os bicos estavam embatucados era através de jornais a arder que as respectivas caldeiras eram postas a funcionar e se o resultado não resultasse (...), o álvaro através de sucessivos pontapés e marretadas encarregava-se de tudo fazer afim de o »home» ter água quentinha para a encharcadela.
é de enaltecer o trabalho de manel nunes, sitima, rogério, jorras, abílio canalizador, os porteiros da porta do cavalo, os homens da conservação, «usdanoite» e mais tarde manel 112 que foram alguns dos «maduros» que passaram «as passas do algarve» e tentaram executar o inexecutável. em 98 com a grande renovação empreendida tudo é diferente e um pouco de atenção prestada é o bastante para a envolvência calorífera ser sentida de alto a baixo e de baixo a cima!
finalmente o descanso caldeireiro nocturno é regra no palacete.

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