segunda-feira, 17 de março de 2008

a peregrinação nocturna

Image and video hosting by TinyPic



começando pela cave, onde outrora era medonho andar(...), a varredura acumulada, as vastutezas de há muito tempo, a fossa, as caldeiras, a carpintaria, a garrafeira, o estaminé do pintor, a oficina do electricista, a até um pequeno tanque ( que chegou a ser pensado para spa noturno), tudo era passado a pente fino!
mas havia mais para palmilhar, no r/c onde hoje se ergue um excelso salão (...), há não sei quantas luas era uma enorme ucharia onde se acumulava a maioria do ferro velho existente e servia ao mesmo tempo de «mictório» em horas de aflição!
a partir daqui as escadas eram escaladas abundantemente, quantos problemas, na época, a brigada noturna não teve de enfrentar, para os «doutores de hoje» julgarem que o palacete apenas resiste devido a sua sabedoria (...)?!
a peregrinação continuava pelo 1ºandar, tudo era analisado ao pormenor, onde hoje são os balneários femininos, «as casas da força» e o ofício, era a enorme «sala das alcatifas» local de encontros fortuitos, onde ratos e baratas procriavam a seu bel prazer, os existentes escritórios eram um depósito permanentemente fechado e que tinha fama de ser lá, que as almas penadas se reuniam para confraternizar, a sala da televisão era o gabinete da ermelhuda e suas pupilas e onde diáriamente aclareciam a estratégia a utilizar no asseio do albergue e por fim as «meeting rooms» que representavam onde outrora, estava instalado o poder (...), a atalaia tinha que ser incessante!
chegando ao 2º era hora de afagar o bucho e a ronda podia esperar um bocadinho (este piso continua hoje em dia a ser um dos locais mais bem vigiados e por isso um dos santuários «dusdanoite»), enquanto eram retemperadas energias...,tentava-se ganhar coragem para o mais difícil da missão que ainda estava para chegar.

no 3º começavam os receios e os sobressaltos (...), a visita aos antigos aposentos e ao armazém de achados provocavam o temor a quem se arriscava a esse fim, era também alvo de vasculhação o «estaminé do batista», antiga cafetaria que é na atualidade, a cantina do pessoal.
ir ao quarto, quinto ou sexto, era sempre um mistério, estes pisos transportam estórias que até a própria história se tenta esquecer mas não consegue(...), muitas vezes a respetiva vigília era feita acelaradamente, havia constantemente algo a fazer, ir buscar a vassoura para afuguentar um rato, ir buscar o banco para permitir uma melhor observação, ir buscar os baldes para armazenar a água da chuva (...), enfim, nao ter descanso!
mas faltava o sétimo, a inspeção ao repartimento do mantino antecedia a parte mais arriscada da incumbência, a subida ao telhado, espaço apenas calcorreado pela brigada notívaga, o 112 (em caso de emergência), o limpa chaminés e o pai natal!
na cobertura, local onde era preciso enorme equilíbrio para a locomoção(..), a verificação do depósito da água, o passeio ao interior do sotão, a inspeção à casa dos elevadores, o visionamento da cidade de lisboa através do miradouro e a «mijinha» eram tarefas diárias e que colocavam um ponto final na longa peregrinação noturna!

5 comentários:

  1. Não terá faltado aqui a verificação do respectivo desintupimento do "repirador" do wc418 e afins? Ou era uma tarefa matutina e não nocturna?

    ResponderEliminar
  2. ...era uma tarefa noturna, mas durante o dia havia muita boa gente de cú para o ar à procura do entupimento!

    ResponderEliminar
  3. Obrigado pelo esclarecimento, de cú para o ar e de tolha na mão, suponho?

    ResponderEliminar
  4. é melhor deixar sp para o erviço noturno, visto que de manha é que se trabalha...

    ResponderEliminar
  5. os de manhã trabalham, os de tardes brincam e usdanoite dormem,

    é o compló instalado!!!!

    ResponderEliminar